No jogo da discórdia de hoje, cada brother deve escolher quem são homem e a mulher mais desagradáveis da casa. Com cinco pulseiras, Elieser "ganha" a brincadeira e Bial anuncia: "Eleito o mais desagradável da casa, faça um agrado a alguém. Você vai decidir quem vai ter o 'Poder do não' para tirar um pessoal da Prova do Líder", pede.
"Eu vou dar esse poder para Marien". "Marien faça bom uso do 'Poder do não' quando solicitada", explica Pedro Bial.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Cronologia ajuda a entender o desastre em Santa Maria
1) 23h de sábado
Em uma noite de céu claro e temperatura amena, na faixa de 17°C, tem início a festa que resultaria na maior tragédia da história gaúcha. Durante as oito horas e meia seguintes, até a chegada do primeiro caminhão carregado de corpos ao Centro Desportivo Municipal (CDM) de Santa Maria, cerca de 1,5 mil participantes do evento na boate Kiss, amigos, familiares e autoridades seriam envolvidos em um turbilhão de eventos trágicos. Boa parte dos frequentadores que chegam ao local são estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) de cursos como Agronomia, Zootecnia e Medicina Veterinária. Duas bandas e três DJs têm a incumbência de animar os alunos e o restante da clientela, que reúne ainda duas festas de aniversário.
2) 0h15min de domingo
O personal trainer Ezequiel Lovato Corte Real, 23 anos, passa pela frente da boate. Não planeja entrar, mas reconhece alguns ex-colegas da UFSM, onde estudara. A fila diante da entrada é um indício de que a festa atrai um grande número de interessados, quase todos na faixa entre 18 e 30 anos. Aos poucos, vai encontrando outros amigos e decide ficar na boate para bater papo e relembrar os tempos da faculdade. A primeira banda a se apresentar, a Pimenta e Seus Comparsas, já faz seu show. Pouco tempo depois, como quase não há espaço para se mexer no corredor, resolvem rumar para a pista e assistir ao show do grupo Gurizada Fandangueira.
3) 3h15min
Enquanto o grupo Gurizada Fandangueira entoa a música Amor de Chocolate, do cantor Naldo, o grupo de amigos da UFSM observa quando uma fagulha vinda do palco alcança o teto e transforma a espuma antirruído em uma nuvem de fumaça negra. Tem início um empurra-empurra em direção à saída. O temor se transforma em pânico quando o fogo se alastra pelo teto. Pedaços de plástico derretido começam a pingar sobre a multidão, que passa a gritar de horror.
Clientes desesperados tentam forçar a saída. Depois de uma resistência inicial dos seguranças, a saída é liberada. Porém, logo surge outro problema: a onda humana acaba trazendo de arrasto uma mesa em direção à porta, o que deixa ainda mais difícil escapar do local. Alguém abre a porta do banheiro em busca de uma saída secundária. Uma leve luz se projeta do interior do banheiro em meio à escuridão, o que atrai a atenção dos jovens desesperados. Uma reação em cadeia leva dezenas deles à peça sem saída, e a pressão da multidão impede que quem entrou consiga voltar. Uma pilha de corpos humanos começa a se formar.
4) 3h16min
Separado dos amigos da UFSM, o personal trainer Ezequiel Corte Real cruza pela área VIP, um pouco mais elevada em relação ao chão da boate, em um atalho rumo à saída. Na luta para sobreviver, passa sobre algumas pessoas que se amontoam junto à saída da boate, desorientadas e afetadas demais pela fumaça para dar o último passo que as salvaria da morte. Percebe que duas mulheres se debatem abaixo dele. Com peso na consciência, volta e começa a retirar pessoas de dentro.
5) 3h19min
O telefone toca no Corpo de Bombeiros de Santa Maria. A nota número 83 preenchida pelo sargento de plantão diz o seguinte: "Fogo em boate. Ocorrência de vulto". Marca 3h20min como horário de saída de dois carros de combate a incêndio, mesmo horário em que a cliente Michele Cardoso dispara uma mensagem pelo Facebook: "Incêndio na KISS socorro".
Os bombeiros chegam ao local às 3h23min e iniciam o trabalho de combate ao fogo e resgate das vítimas. Já há gente morta a apenas um metro da porta de saída. Muitos apresentam marcas de pisoteio em braços, pernas e rosto. Frequentadores abrem um rombo na parede com picaretas para tentar aumentar o nível de oxigênio no interior e criar uma nova possibilidade de resgate — o que não ocorre.
6) 3h30min
As autoridades começam a ser alertadas sobre o drama em andamento. Um assessor do prefeito Cezar Schirmer, Rogério Assis Brasil, morador das proximidades da boate, telefona para ele:
— Prefeito, está havendo algum problema. Estou vendo fumaça e tem gente na rua falando em um incêndio.
Nesse momento, corpos já começam a ser dispostos sobre a calçada e em um estacionamento próximo de um supermercado. Viaturas da BM, carros particulares e ambulâncias levam os primeiros feridos para os hospitais mais próximos, como o Caridade.
7) 5h
Quando já não há mais esperança de sobreviventes no interior da boate, o governador Tarso Genro é avisado pelo secretário estadual da Segurança, Airton Michels, de que um incêndio havia deixado vários mortos em Santa Maria. Até aquele momento, porém, acreditava-se que poderiam chegar a poucas dezenas. Mais tarde, por volta das 9h, enquanto o governador aguardava o retorno do avião King Air para visitar a cidade (que havia voado levando peritos para Santa Maria), receberia a primeira ligação da presidente Dilma Rousseff, que se encontrava no Chile. No quarto dos cinco telefonemas trocados, quando já estava clara a dimensão do desastre, ela iria revelar:
— Vou a Santa Maria.
8) 7h10min
Os corpos das primeiras 67 vítimas são carregados no caminhão-baú da Brigada Militar que faria a primeira das quatro viagens fúnebres ao ginásio municipal de Santa Maria. Os mortos são empilhados, e o caminhão parte rumo ao CDM. Chega lá por volta das 7h30min, quando os corpos começam a ser dispostos no chão, separados entre homens e mulheres. Muitos celulares ainda não haviam parado de tocar desde a retirada da Kiss, traduzindo a ansiedade dos familiares dos mortos por notícias.
— Os celulares seguiam tocando, mas não tínhamos autorização de atender. Às vezes, quando dava tempo, apenas nos encostávamos em um canto para chorar — revela a enfermeira do município Maria Lúcia Prestes.
Nessa hora, o Grande do Sul já chorava junto a Maria Lúcia.
Em uma noite de céu claro e temperatura amena, na faixa de 17°C, tem início a festa que resultaria na maior tragédia da história gaúcha. Durante as oito horas e meia seguintes, até a chegada do primeiro caminhão carregado de corpos ao Centro Desportivo Municipal (CDM) de Santa Maria, cerca de 1,5 mil participantes do evento na boate Kiss, amigos, familiares e autoridades seriam envolvidos em um turbilhão de eventos trágicos. Boa parte dos frequentadores que chegam ao local são estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) de cursos como Agronomia, Zootecnia e Medicina Veterinária. Duas bandas e três DJs têm a incumbência de animar os alunos e o restante da clientela, que reúne ainda duas festas de aniversário.
2) 0h15min de domingo
O personal trainer Ezequiel Lovato Corte Real, 23 anos, passa pela frente da boate. Não planeja entrar, mas reconhece alguns ex-colegas da UFSM, onde estudara. A fila diante da entrada é um indício de que a festa atrai um grande número de interessados, quase todos na faixa entre 18 e 30 anos. Aos poucos, vai encontrando outros amigos e decide ficar na boate para bater papo e relembrar os tempos da faculdade. A primeira banda a se apresentar, a Pimenta e Seus Comparsas, já faz seu show. Pouco tempo depois, como quase não há espaço para se mexer no corredor, resolvem rumar para a pista e assistir ao show do grupo Gurizada Fandangueira.
3) 3h15min
Enquanto o grupo Gurizada Fandangueira entoa a música Amor de Chocolate, do cantor Naldo, o grupo de amigos da UFSM observa quando uma fagulha vinda do palco alcança o teto e transforma a espuma antirruído em uma nuvem de fumaça negra. Tem início um empurra-empurra em direção à saída. O temor se transforma em pânico quando o fogo se alastra pelo teto. Pedaços de plástico derretido começam a pingar sobre a multidão, que passa a gritar de horror.
Clientes desesperados tentam forçar a saída. Depois de uma resistência inicial dos seguranças, a saída é liberada. Porém, logo surge outro problema: a onda humana acaba trazendo de arrasto uma mesa em direção à porta, o que deixa ainda mais difícil escapar do local. Alguém abre a porta do banheiro em busca de uma saída secundária. Uma leve luz se projeta do interior do banheiro em meio à escuridão, o que atrai a atenção dos jovens desesperados. Uma reação em cadeia leva dezenas deles à peça sem saída, e a pressão da multidão impede que quem entrou consiga voltar. Uma pilha de corpos humanos começa a se formar.
4) 3h16min
Separado dos amigos da UFSM, o personal trainer Ezequiel Corte Real cruza pela área VIP, um pouco mais elevada em relação ao chão da boate, em um atalho rumo à saída. Na luta para sobreviver, passa sobre algumas pessoas que se amontoam junto à saída da boate, desorientadas e afetadas demais pela fumaça para dar o último passo que as salvaria da morte. Percebe que duas mulheres se debatem abaixo dele. Com peso na consciência, volta e começa a retirar pessoas de dentro.
5) 3h19min
O telefone toca no Corpo de Bombeiros de Santa Maria. A nota número 83 preenchida pelo sargento de plantão diz o seguinte: "Fogo em boate. Ocorrência de vulto". Marca 3h20min como horário de saída de dois carros de combate a incêndio, mesmo horário em que a cliente Michele Cardoso dispara uma mensagem pelo Facebook: "Incêndio na KISS socorro".
Os bombeiros chegam ao local às 3h23min e iniciam o trabalho de combate ao fogo e resgate das vítimas. Já há gente morta a apenas um metro da porta de saída. Muitos apresentam marcas de pisoteio em braços, pernas e rosto. Frequentadores abrem um rombo na parede com picaretas para tentar aumentar o nível de oxigênio no interior e criar uma nova possibilidade de resgate — o que não ocorre.
6) 3h30min
As autoridades começam a ser alertadas sobre o drama em andamento. Um assessor do prefeito Cezar Schirmer, Rogério Assis Brasil, morador das proximidades da boate, telefona para ele:
— Prefeito, está havendo algum problema. Estou vendo fumaça e tem gente na rua falando em um incêndio.
Nesse momento, corpos já começam a ser dispostos sobre a calçada e em um estacionamento próximo de um supermercado. Viaturas da BM, carros particulares e ambulâncias levam os primeiros feridos para os hospitais mais próximos, como o Caridade.
7) 5h
Quando já não há mais esperança de sobreviventes no interior da boate, o governador Tarso Genro é avisado pelo secretário estadual da Segurança, Airton Michels, de que um incêndio havia deixado vários mortos em Santa Maria. Até aquele momento, porém, acreditava-se que poderiam chegar a poucas dezenas. Mais tarde, por volta das 9h, enquanto o governador aguardava o retorno do avião King Air para visitar a cidade (que havia voado levando peritos para Santa Maria), receberia a primeira ligação da presidente Dilma Rousseff, que se encontrava no Chile. No quarto dos cinco telefonemas trocados, quando já estava clara a dimensão do desastre, ela iria revelar:
— Vou a Santa Maria.
8) 7h10min
Os corpos das primeiras 67 vítimas são carregados no caminhão-baú da Brigada Militar que faria a primeira das quatro viagens fúnebres ao ginásio municipal de Santa Maria. Os mortos são empilhados, e o caminhão parte rumo ao CDM. Chega lá por volta das 7h30min, quando os corpos começam a ser dispostos no chão, separados entre homens e mulheres. Muitos celulares ainda não haviam parado de tocar desde a retirada da Kiss, traduzindo a ansiedade dos familiares dos mortos por notícias.
— Os celulares seguiam tocando, mas não tínhamos autorização de atender. Às vezes, quando dava tempo, apenas nos encostávamos em um canto para chorar — revela a enfermeira do município Maria Lúcia Prestes.
Nessa hora, o Grande do Sul já chorava junto a Maria Lúcia.
Boate Kiss desrespeitou normas básicas de segurança
Não dispor de uma saída de emergência adicional era o primeiro item de várias normas básicas de segurança contra incêndios desrespeitadas pela boate Kiss.
Para assegurar o curso das investigações sobre o incidente que resultou na morte de mais de 230 pessoas, a Polícia Civil cumpriu, ontem, mandados de prisão temporária dos dois proprietários da casa noturna e de dois músicos da banda Gurizada Fandangueira.
Além das causas da tragédia, a polícia terá de apurar porque autoridades diminuem a importância de problemas estruturais considerados graves por especialistas.
A Kiss tinha apenas uma porta, que funcionava como entrada e saída. O Corpo de Bombeiros considera desnecessária a existência de uma segunda saída, mas a porta de emergência é considerada obrigatória pela Norma 9.077 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que baliza as legislações contra incêndio de Santa Maria e do Estado. José Carlos Tomina lidera o Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio — grupo que, na ABNT, elaborou as 64 normas de prevenção e combate a incêndios vigentes no país.
— A norma em questão não prevê nenhuma possibilidade daquela casa noturna estar funcionando com apenas uma saída, não importa o tamanho da porta — afirmou.
É necessário, também, que a saída adicional fique do lado oposto ao principal. Para ele, a casa falhava em itens básicos de segurança, como iluminação de emergência.
Legislação exige ao menos duas saídas
A ausência de saídas de emergência para uma evacuação rápida e a falta de comunicação entre os funcionários da casa foram erros fatais, na avaliação do coordenador do Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental da Coppe/UFRJ, Moacyr Duarte:
— A cadeia de responsabilidades nessa tragédia é enorme. Qualquer plano de emergência prevê a evacuação de um local em menos de cinco minutos.
Mesmo antiga, a legislação atual contempla os pontos básicos de segurança, diz. Para o especialista, a tragédia não foi uma fatalidade, mas uma sequência de erros banais:
— A configuração da boate é inadmissível em qualquer lugar do mundo. Nem janelas tinha. Qualquer inspeção básica de bombeiro não daria autorização para funcionar.
Para assegurar o curso das investigações sobre o incidente que resultou na morte de mais de 230 pessoas, a Polícia Civil cumpriu, ontem, mandados de prisão temporária dos dois proprietários da casa noturna e de dois músicos da banda Gurizada Fandangueira.
Além das causas da tragédia, a polícia terá de apurar porque autoridades diminuem a importância de problemas estruturais considerados graves por especialistas.
A Kiss tinha apenas uma porta, que funcionava como entrada e saída. O Corpo de Bombeiros considera desnecessária a existência de uma segunda saída, mas a porta de emergência é considerada obrigatória pela Norma 9.077 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que baliza as legislações contra incêndio de Santa Maria e do Estado. José Carlos Tomina lidera o Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio — grupo que, na ABNT, elaborou as 64 normas de prevenção e combate a incêndios vigentes no país.
— A norma em questão não prevê nenhuma possibilidade daquela casa noturna estar funcionando com apenas uma saída, não importa o tamanho da porta — afirmou.
É necessário, também, que a saída adicional fique do lado oposto ao principal. Para ele, a casa falhava em itens básicos de segurança, como iluminação de emergência.
Legislação exige ao menos duas saídas
A ausência de saídas de emergência para uma evacuação rápida e a falta de comunicação entre os funcionários da casa foram erros fatais, na avaliação do coordenador do Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental da Coppe/UFRJ, Moacyr Duarte:
— A cadeia de responsabilidades nessa tragédia é enorme. Qualquer plano de emergência prevê a evacuação de um local em menos de cinco minutos.
Mesmo antiga, a legislação atual contempla os pontos básicos de segurança, diz. Para o especialista, a tragédia não foi uma fatalidade, mas uma sequência de erros banais:
— A configuração da boate é inadmissível em qualquer lugar do mundo. Nem janelas tinha. Qualquer inspeção básica de bombeiro não daria autorização para funcionar.
Caminhada em homenagem às vítimas de incêndio reúne mais de 35 mil pessoas
Um multidão superior a 35 mil pessoas ganhou as ruas na noite desta segunda-feira em homenagem às vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria. Vestidos de branco e segurando cartazes, balões e faixas negras de protesto, familiares e amigos saíram da Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade, pouco depois das 22h.
A mobilização começou com orações e com o canto do hino do Rio Grande do Sul. Após, a multidão percorreu, ora em silêncio, ora ao som melancólico de violinos, o mesmo trajeto que os corpos fizeram após a tragédia, passando pela Kiss e seguindo até o Centro Desportivo Municipal (CDM), onde ocorreu o reconhecimento das vítimas e muitos velórios.
Balões brancos ainda foram soltos no ar e outros foram estourados, ato acompanhado de uma emocionada salva de palmas. Uma imagem gigante de Maria segurando o filho Jesus nos braços serviu como representação do máximo da dor que as mães estão sentindo com a perda de seus filhos.
A mobilização começou com orações e com o canto do hino do Rio Grande do Sul. Após, a multidão percorreu, ora em silêncio, ora ao som melancólico de violinos, o mesmo trajeto que os corpos fizeram após a tragédia, passando pela Kiss e seguindo até o Centro Desportivo Municipal (CDM), onde ocorreu o reconhecimento das vítimas e muitos velórios.
Balões brancos ainda foram soltos no ar e outros foram estourados, ato acompanhado de uma emocionada salva de palmas. Uma imagem gigante de Maria segurando o filho Jesus nos braços serviu como representação do máximo da dor que as mães estão sentindo com a perda de seus filhos.
Morre o ex-técnico de basquete Ary Vidal
O homem que venceu os Estados Unidos em Indianápolis, que colocou o Rio Grande do Sul no mapa do basquete nacional partiu. Morreu nesta segunda-feira o ex-técnico da seleção brasileira Ary Ventura Vidal. O velório será ainda na segunda e o enterro está marcado para as 11h de terça, no Rio de Janeiro.
Comandante da geração de Marcel e Oscar, ouro no Pan de 1987, e campeão brasileiro pelo Corinthians, de Santa Cruz do Sul, o carioca de 77 anos foi internado há três meses no Rio de Janeiro. A saúde já vinha frágil desde 2001, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).
Nascido em 28 de dezembro de 1935, no Rio, Ary foi um homem de amores intensos. Viveu três casamentos só interrompidos pela morte: com o basquete, com a seleção e com a mulher Heloisa, companheira por 46 anos, mãe de suas filhas Flavia e Andréa.
Explosivo, conhecido pela teimosia e as frases de efeito, o senhor careca que usava óculos de aros redondos virou uma legenda do basquete nacional. Que jamais gostou de ser chamado de treinador. Aos que lhe atribuam à função, respondia de imediato.
_ Treinador é de cavalo. Eu sou técnico, aquele que domina o detalhe.
Como técnico, abriu a relação com o Brasil na seleção feminina em 1965. Mais tarde, liderou a os homens em duas Olimpíadas (Seul-88 e Atlanta-86) e dois Mundiais, sendo bronze no torneio das Filipinas, em 1978. Ao todo, fez mais de 120 jogos à frente do time masculino, com 92 vitórias, a mais marcante em 23 de agosto de 1987.
Diante de 16 mil pessoas, Ary comandou um time que entrou na quadra do Market Square Arena, em Indianápolis, condenado ao vice-campeonato pan-americano. Pais do basquete, os norte-americanos jamais haviam perdido uma partida oficial em casa, foram para o intervalo ganhando por confortáveis 68 a 54. Com uma reação improvável, puxadas pelas bolas de três pontos de Oscar e Marcel, o Brasil virou. Fez o improvável acontecer, venceu por 120 a 115.
O ouro de Indianápolis foi o ápice de uma trajetória vitoriosa, iniciada nos anos 40. No entanto, o jovem Ary, único filho do casal Alberto e Dulce Vidal, gostava mesmo de jogar futebol. Apesar da família flamenguista, era goleiro dos times de base do Botafogo, posto deixado de lado em favor do basquete.
_ O Brasil perdeu um ótimo goleiro _ costumava rir o carioca.
O futuro técnico foi apresentado ao basquete aos 13 anos, por um tio que o levou para treinar na Associação Atlética Carioca, clube de bairro no Rio. Armador limitado, virou profissional, defendeu o Tijuca, até chegar ao posto de auxiliar no Flamengo. Na Gávea trabalhou com seu mentor, Togo Renan Soares, o Kanela, para muitos o maior técnico da história do país _ foi bicampeão mundial, penta sul-americano e medalha de bronze nas Olimpíadas de Roma pela seleção.
O debut de Ary na carreira de técnico aconteceu no Tijuca. Entre as idas e vindas da seleção (também passou pela seleção do Peru), comandou diversos clubes como Flamengo, Fluminense, Vasco, Minas, Sírio, Al Ahli (Arábia Saudita) e Juver (Espanha), última parada antes de desembarcar no Rio Grande do Sul.
Em abril de 1990, o ex-comandante da seleção topou desbravar o basquete gaúcho, marginalizado no cenário nacional, dominado pelas equipes paulistas. Profissionalizou o Corinthians, trouxe jogadores de seleção, a exemplo de Marcel e Rolando, e norte-americanos, como o ala Alvin Frederick. Foram sete anos de cumplicidade, sete títulos gaúchos, dois vice-campeonatos brasileiros (1996 e 1997) e a conquista inédita da Liga Nacional de 1994.
Para consumar a façanha, o Corinthians precisou virar um playoff que parecia perdido diante do favorito Franca, base da seleção brasileira. Após duas derrotas em São Paulo, os gaúchos buscaram três vitórias seguidas no Ginásio Tesourinha, em Porto Alegre. Em 17 de abril de 1994, o 99 a 92 no quinto e derradeiro confronto deu ao Estado seu único título nacional. Ary fez do Corinthians a equipe dos gaúchos.
_ Unimos gremistas e colorados. Os gaúchos abraçaram a causa _ saudou Ary em entrevista concedida a Zero Hora em abril deste ano, 18º aniversário do título.
Comandante da geração de Marcel e Oscar, ouro no Pan de 1987, e campeão brasileiro pelo Corinthians, de Santa Cruz do Sul, o carioca de 77 anos foi internado há três meses no Rio de Janeiro. A saúde já vinha frágil desde 2001, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).
Nascido em 28 de dezembro de 1935, no Rio, Ary foi um homem de amores intensos. Viveu três casamentos só interrompidos pela morte: com o basquete, com a seleção e com a mulher Heloisa, companheira por 46 anos, mãe de suas filhas Flavia e Andréa.
Explosivo, conhecido pela teimosia e as frases de efeito, o senhor careca que usava óculos de aros redondos virou uma legenda do basquete nacional. Que jamais gostou de ser chamado de treinador. Aos que lhe atribuam à função, respondia de imediato.
_ Treinador é de cavalo. Eu sou técnico, aquele que domina o detalhe.
Como técnico, abriu a relação com o Brasil na seleção feminina em 1965. Mais tarde, liderou a os homens em duas Olimpíadas (Seul-88 e Atlanta-86) e dois Mundiais, sendo bronze no torneio das Filipinas, em 1978. Ao todo, fez mais de 120 jogos à frente do time masculino, com 92 vitórias, a mais marcante em 23 de agosto de 1987.
Diante de 16 mil pessoas, Ary comandou um time que entrou na quadra do Market Square Arena, em Indianápolis, condenado ao vice-campeonato pan-americano. Pais do basquete, os norte-americanos jamais haviam perdido uma partida oficial em casa, foram para o intervalo ganhando por confortáveis 68 a 54. Com uma reação improvável, puxadas pelas bolas de três pontos de Oscar e Marcel, o Brasil virou. Fez o improvável acontecer, venceu por 120 a 115.
O ouro de Indianápolis foi o ápice de uma trajetória vitoriosa, iniciada nos anos 40. No entanto, o jovem Ary, único filho do casal Alberto e Dulce Vidal, gostava mesmo de jogar futebol. Apesar da família flamenguista, era goleiro dos times de base do Botafogo, posto deixado de lado em favor do basquete.
_ O Brasil perdeu um ótimo goleiro _ costumava rir o carioca.
O futuro técnico foi apresentado ao basquete aos 13 anos, por um tio que o levou para treinar na Associação Atlética Carioca, clube de bairro no Rio. Armador limitado, virou profissional, defendeu o Tijuca, até chegar ao posto de auxiliar no Flamengo. Na Gávea trabalhou com seu mentor, Togo Renan Soares, o Kanela, para muitos o maior técnico da história do país _ foi bicampeão mundial, penta sul-americano e medalha de bronze nas Olimpíadas de Roma pela seleção.
O debut de Ary na carreira de técnico aconteceu no Tijuca. Entre as idas e vindas da seleção (também passou pela seleção do Peru), comandou diversos clubes como Flamengo, Fluminense, Vasco, Minas, Sírio, Al Ahli (Arábia Saudita) e Juver (Espanha), última parada antes de desembarcar no Rio Grande do Sul.
Em abril de 1990, o ex-comandante da seleção topou desbravar o basquete gaúcho, marginalizado no cenário nacional, dominado pelas equipes paulistas. Profissionalizou o Corinthians, trouxe jogadores de seleção, a exemplo de Marcel e Rolando, e norte-americanos, como o ala Alvin Frederick. Foram sete anos de cumplicidade, sete títulos gaúchos, dois vice-campeonatos brasileiros (1996 e 1997) e a conquista inédita da Liga Nacional de 1994.
Para consumar a façanha, o Corinthians precisou virar um playoff que parecia perdido diante do favorito Franca, base da seleção brasileira. Após duas derrotas em São Paulo, os gaúchos buscaram três vitórias seguidas no Ginásio Tesourinha, em Porto Alegre. Em 17 de abril de 1994, o 99 a 92 no quinto e derradeiro confronto deu ao Estado seu único título nacional. Ary fez do Corinthians a equipe dos gaúchos.
_ Unimos gremistas e colorados. Os gaúchos abraçaram a causa _ saudou Ary em entrevista concedida a Zero Hora em abril deste ano, 18º aniversário do título.
Nós brasileiros estamos em luto pela tragédia que dizimou muitas vidas em Santa Maria
Que as famílias sejam confortadas pelo Espírito Consolador Divino, e recebam o nosso apoio e consideração, por este momento vivenciado em nosso País, e que repercutiu internacionalmente.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Caminhada em homenagem às vítimas de incêndio reúne 10 mil pessoas
Cerca de 10 mil pessoas participam, na noite desta segunda-feira, da caminhada em homenagem às vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria. Vestidos de branco e segurando cartazes, familiares e amigos saíram da Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade, pouco depois das 22h.
A mobilização começou com orações e com o canto do hino do Rio Grande do Sul. Após, a multidão percorreu o trajeto que os corpos fizeram após a tragédia, passando pela Kiss e seguindo até o Centro Desportivo Municipal (CDM), onde as vítimas foram reconhecidas e muitas foram veladas.
Balões brancos ainda foram soltos no ar e outros foram estourados, ato acompanhado de uma emocionada salva de palmas.
conheça as vitimas http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/01/conheca-as-vitimas-da-tragedia-em-santa-maria-4024801.html
A mobilização começou com orações e com o canto do hino do Rio Grande do Sul. Após, a multidão percorreu o trajeto que os corpos fizeram após a tragédia, passando pela Kiss e seguindo até o Centro Desportivo Municipal (CDM), onde as vítimas foram reconhecidas e muitas foram veladas.
Balões brancos ainda foram soltos no ar e outros foram estourados, ato acompanhado de uma emocionada salva de palmas.
conheça as vitimas http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/01/conheca-as-vitimas-da-tragedia-em-santa-maria-4024801.html
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